- Que horas é seu voo no Sábado?
- Às 14h.
- Ok. Você volta no Sábado, e no Domingo vai chegar um Japonês.
- Sério? :(
Eu seria a pessoa mais hipócrita do mundo se eu disser que não fiquei com ciúme em saber disso. Um Japonês vai tomar posse de um quarto que eu já batizei como meu. E vai sentar pra tomar café da manhã na cadeira que eu sento desde Janeiro, e que teoricamente já é minha também. E vai roubar o espaço que supostamente era meu.
Sei que é meio estúpido pensar assim, pois antes de mim já tiveram dezenas de outros estudantes ocupando esse quarto que eu chamo de "meu", mas é que é engraçado o quanto eu terminei me apegando as coisas. Se dependesse de mim, depois que eu fosse embora eles colocariam um aviso na porta do quarto: interditado até a volta do proprietário. E olhe que eu volto mesmo!
Mas sendo bem franco agora (não que antes eu não tivesse sendo) eu não tenho ideia ainda da falta que eu vou sentir desse lugar. De cada momento, de cada pessoa e até de cada rotina. Em menos de 48 horas vou tá dentro de um avião, chegando na cidade que eu mais amo nesse mundo. E isso me deixa feliz! Porém, quando as pessoas me diziam que quando você volta de um intercâmbio, é um misto de sentimentos malucos, eu não acreditava. Pois é. É verdade. Eu tou com uma mistura de felicidade, saudade, tristeza, orgulho. Eu poderia até explicar como cada um deles tá atuando em mim, mas eu acho meio complicado. Coisa difícil de explicar.
Voltar para a minha cidade, ver a minha casa, os meus amigos, a minha família, vai ser algo extraordinário. Eu sei. Mas vocês não tem noção do quanto é estranho passar nos lugares por aqui nessa semana e pensar: "Essa é uma das últimas vezes que eu tou passando por aqui". Mas eu não digo nunca. Nunca é uma palavra muito forte, e eu sou completamente adépto a aquela sentença que diz "Nunca diga nunca." Nunca digo mesmo, pois, e quem disse que eu nunca mais vou voltar aqui? A gente nunca sabe!
Nessas últimas semanas eu comecei a ficar mais nostálgico. Pensando mais, lembrando de tudo que eu passei, de tudo que aprendi e de tudo que ensinei. E olhe, que não foi pouca coisa não. Ensinei para a metade dos asiáticos, europeus e até canadenses que no Brasil a gente fala PORTUGUÊS e não espanhol - E uma das coisas mais engraças que eu via aqui, era a cara de espanto das pessoas em saber disso. Ensinei que o Brasil não se resume só a Carnaval, samba, festa e feijão com arroz. Mostrei o quão maravilhoso o nosso país é, e nossa cidade? Nem se fala! O que tem de gringo aqui querendo conhecer Recife não tá no gibi!
E o que eu aprendi? Pelo amor de Deus! Tava pensando aqui em como vou colocar tudo em palavras, e é meio difícil. Aprendi a ser paciente, a ser relevante, a esconder sentimentos que não precisam ser mostrados. Aprendi a engolir o choro, mas também aprendi que rir é o melhor remédio. Aprendi a sentir saudade, e também aprendi - ou descobri - o quanto sou uma pessoa que busca a felicidade dos outros pra se sentir feliz. Posso até tá parecendo patético ou então que minha humildade tá em falta. Mas isso tudo é pura verdade.
Despedidas. Taí uma parte que eu não gosto. Desde Segunda-feira estou em um dilema danado só pensando na hora da despedida. Fico imaginando como vai ser me despedir de cada amigo que fiz aqui, cada pessoa que foi especial pra mim durante esses seis meses, e tenho certeza que vão ser durante muito tempo ainda. Já tomei consciência que os Brasileiros que moram em outras cidades não vai ser problema. Tou preferindo não sofrer por ter que me despedir deles, pois pode parecer que não, mas é fácil demais ter outro reencontro dos "Brasileiros que se tornaram amigos no Canadá".
A parte mais difícil vai ser dizer o "Tchau, nos vemos em breve!" para amigos de outros países. Como vai ser desagradável abraçar cada um deles e dizer "Te espero em Recife" pois cada um deles criou um espaço especial no meu coração. Como esquecer a louca Maria da Colombia (Essa que tá na foto recebendo o diploma comigo. Chegamos no mesmo dia, e vamos embora no mesmo dia, porém, só nos conhecemos no meio do intercâmbio). Ou então dos Coreanos mais loucos que já vi na vida: Big Mac, Subin, Dong Ju, Yura, Tom e Soo Jung? Ou então dos Europeus mais humildes da face da terra: Lucien, Kevin, Lisa e Martina? E entre muitos outros que não cito aqui por não saber escrever os nomes - Tenho que admitir.
E uma família que eu pensei que não iria me fazer sentir saudades, mas já percebi que vou sentir muita falta sim: minha homestay. Incrível como vai fazer falta todo dia de manhã ouvir Ruben falando da previsão do tempo, ou então, de tal jogo do Canucks que teve em determinado dia. Sentir falta de Modesta quase sempre falando que eu deveria comer mais, e sempre adicionando algo no meu prato. Saudade de ir à escola na compania do Tailandês, e ouvi-lo falando religiosamente todo santo dia "Hoje tá mais frio que ontem!" E sem falar na família adicional que é Teresa, Lian e Ruben filho (Filho, nora e neto dos meus "pais" daqui). Sentir falta de vê-los perguntando sobre como minha família tá.
Mas e quem disse que eu vou esquece-los? Não vou. Todos tão guardados no meu coração e eu só tenho - ou só guardei, o que soar melhor - as melhores lembranças de cada um. E com toda sinceridade do mundo: espero vê-los o mais rápido possível. E tenham certeza: vou fazer o máximo para isso acontecer.
E assim eu finalizo minha última postagem daqui de vancouver. Domingo já estou de volta à minha Veneza Brasileira, e não pensem que estou triste por isso, pois eu estou feliz demais. Mal posso esperar pra esse reencontro chegar logo. Conto as horas!
Ps.
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